Nos EUA, a fatia é de 21%; na Alemanha, de 27%. Aqui, o comércio de itens como ração e vacinas é dominado por pet shops de bairro, em que o portfólio raramente chega a 30% do normal numa megastore como as da Petz, onde é possível encontrar 20 mil produtos diferentes.
Varejista pretende entrar na Bolsa
A demanda aquecida tem motivado uma expansão acelerada dos negócios voltados aos animais domésticos no país. A rede Petz é o melhor exemplo do fenômeno e se prepara para entrar na Bolsa. Fundada em 2002, a empresa teve no ano passado receitas de R$ 1,1 bilhão, uma alta de 27% sobre 2018. De 2017 para cá, a varejista saiu de uma rede de 63 lojas em sete estados para as atuais 105 unidades em 13 unidades da federação.
De acordo com o prospecto da oferta pública de ações protocolada pela varejista na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autoridade regulatória de empresas com capital aberto no Brasil, a Petz pretende captar recursos para acelerar a abertura de lojas. Procurada pelo GLOBO, a empresa não quis dar mais detalhes sobre seus negócios.
Para analistas, o movimento da Petz vem da necessidade de uma saída do negócio por parte do fundo de private equity Warburg Pincus, que investiu na varejista há sete anos. Além disso, a Petz está em busca de recursos para fazer frente à expansão da Cobasi, líder do mercado, com receita de R$ 1,3 bilhão em 2019. O fundador da Cobasi, João Nassar, tem planos ambiciosos.
— A meta é expandir as receitas em pelo menos 20% e abrir no mínimo 25 lojas em 2020 — diz Nassar, que é da segunda geração da família à frente do negócio fundado em 1985, na Zona Oeste da capital paulista.
O crescimento deve vir de recursos próprios, mas uma ida a mercado pode entrar no cenário caso a bicharada da concorrência lata mais alto.
— Por ora, não consideramos abrir capital mas estamos prontos para ir a mercado se houver uma necessidade de expansão — diz.
No caminho da euforia dos investidores com os animais de estimação por aqui, está a trajetória recente desse setor nos Estados Unidos, onde o faturamento anual do mercado pet gira em torno de US$ 60 bilhões.
Risco de bolha
No ano passado, em junho, a oferta pública de ações da Chewy.com, um comércio eletrônico voltado aos animais domésticos, levantou US$ 8,7 bilhões. Desde então, os papéis caíram 17% com vendas abaixo do esperado.
Na sombra de muitos dos negócios do setor está o histórico da Pets.com, um dos maiores exemplos da chamada bolha da internet no início dos anos 2000. Fundada em 1998 nos EUA como um comércio eletrônico pioneiro no setor, a empresa investiu com força em marketing. Em janeiro de 2000, anúncios da Pets.com foram vistos inclusive no intervalo do SuperBowl, partida de futebol que é o espaço comercial mais caro da TV americana. Nove meses mais tarde, a empresa pediu falência em meio à combinação de altos custos logísticos e demanda incerta para o comércio on-line para pets.